Posts Marcados prosa

GRITOS VERTICAIS – Enfim,… saiu o livro!

– André L. Soares –
.
A partir de hoje está à venda, por meio do link abaixo, o livro ‘Gritos Verticais’, de minha autoria:
.
Clique aqui para adquirir o livro
.
Disponível nas versões impressa e e-book, o livro, que reúne textos inéditos e outros já conhecidos do público on-line, apresenta cerca de duzentos poemas, os quais versam sobre os mais variados assuntos, abordando desde o amor até a filosofia, desde a infância até a política, passando também pelo surreal, o abstrato, a teologia e o engajamento ecológico.
.

.
.

, , , , , , ,

8 Comentários

INVISTA EM VOCÊ: TRABALHE DE GRAÇA

CSA Coal Mine at Karvina. Fotógrafo - James P. Blair.
[Fotografia: James P. Blair]
.
.

INVISTA EM VOCÊ: TRABALHE DE GRAÇA

– André L. Soares – 21.05.2008 –

.

Desde que não pare de estudar, quase todo esforço é válido ao jovem que busca o primeiro emprego. Inclusive, trabalhar de graça. Explico:
.
De 1989 a 2004, fase de grande inflação e desemprego, fui dono de birô pequeno escritório de consultoria em Brasília. De fácil gerenciamento, tinha computador, impressora, telefone e uma mosca-morta secretária. De resto, só minha habilidade para vender e prestar o serviço.
.
O serviço era anunciado no jornal. Os clientes ligavam. A secretaria dizia ‘alô’ fazia o primeiro atendimento e me passava o telefone. Eu vendia o serviço que, dias depois, iria desenvolver.
.
De família imensa e com muitos amigos, havia sempre um chato alguém pedindo emprego ou estágio para o filho. Não adiantava explicar minha quebradeira limitação. Bastava ir a um churrasco e me sondavam sobre empregar gente que eu sequer conhecia. Tornei-me hábil em dizer ‘não’ com frieza elegância. Porém, a estratégia logo mudou: passaram a abordar minha mãe que, por sua vez, torrava meu saco intervinha pelos solicitantes.
.
Em Brasília, mais que em outro lugar, quando pensam em empresas, as pessoas imaginam que essas sejam ‘cabides de emprego’, tais eram os órgãos inúteis e toscos inoperantes da ditadura militar.
.
Assim, os pedidos se faziam com mais freqüência. Até minhas namoradas se ofereciam para trabalhar comigo. Temendo virar o monstro insensível, passei a mentir alegar que as coisas iam muito mal e que sequer poderia pagar a merreca o salário mínimo.
.
Na verdade, eu estava fascinado pelas ‘vias paralelas’ que levavam ao lucro: redução de custos, prestação de serviços sem nota fiscal e afins. Daí não precisar, nem querer, aumentar a curtíssima folha de pagamento.
.
Mas os pedidos seguiam. Embora pobres, vivendo com dificuldade, uns propunham que o filho trabalhasse de graça. Outros queriam, ainda, custear o transporte e o almoço do menor. Foi aí que, puto da vida constrangido, cedi. Aceitei o filho de um amigo como estagiário não remunerado, por meio período (no outro ele estudava), arcando apenas com custos de transporte e almoço.
.
O rapaz tinha quinze anos. Jeca Tímido. Mal sabia pegar ônibus. Falava em tom inaudível. Nunca olhava nos olhos. Jamais emitia opiniões. Tinha medo de tocar em tudo. Não levantava da cadeira (nem pra mijar cuspir). Parecia um bicho-do-mato caipira. Era difícil crer que aquele mané menino ‘peitava’ o pai em casa, fazendo arruaça junto com os amigos e fumando tendendo a fumar maconha.
.
Nessa época o escritório já possuía bom volume de equipamentos de informática. Não demoraram seis meses e o rapaz tornou-se hábil no uso do computador; perdeu a timidez; atendia ao telefone com segurança; sorria para os clientes; fazia serviços de banco; e até emitia pequenas sugestões sobre os serviços que prestávamos.
.
Certo dia, um cliente liga desesperado. Era advogado. Um de seus funcionários passara em concurso e se demitira. Então, precisava de alguém para fazer serviço de escritório. Queria saber se eu podia indicar alguém. Não por nepotismo, indiquei meu estagiário que, de fato, demonstrara competência.
.
Feliz, ele foi ganhar dois salários mínimos. Passou a estudar à noite. Poucos meses nesse emprego e foi prestar serviços numa antiga estatal. Após escândalo que devastou tal organização, abriu negócio próprio. Formou-se em processamento de dados e ficou louco casou.
.
Depois dessa primeira experiência bem-sucedida os pedidos se multiplicaram. De minha parte, entendi a vantagem de ter estagiário não-remunerado e aceitei outro, tão logo o primeiro saiu.
.
Tudo se repetiu! Ao todo, nesses quinze anos, tive, como estagiários: dois filhos de amigos, dois primos, uma prima, a esposa de um primo e três namoradas. Uma delas, especificamente, indiquei várias vezes. Primeiro para ser secretária na maior rede de farmácias de manipulação do Centro-Oeste (onde trabalhou por dois anos); depois, para a gerência na maior clínica odontológica de Brasília (onde permaneceu um ano); terceiro, para secretariar grande escritório de ricos ‘lobistas’ locais; e, por fim, para assessorar ninguém menos que Idalberto Chiavenato, no ano de 2001, em sua turnê de palestras pelo país (quem conhece Administração sabe a quem me refiro).
.
Essa antiga namorada sabia a importância de estar no mercado a todo custo. Por isso, cada vez que perdia o emprego, oferecia-se novamente para trabalhar pra mim, de graça; pois tinha certeza que dessa opção viria o novo emprego. Ela nunca errou.
.
Em todos esses casos a transformação foi sublime e os resultados positivos inegáveis. Jamais sofri reclamações informais ou processos trabalhistas. Nenhum deles sentiu-se explorado e até hoje recebo agradecimentos. Os empregadores a quem os indiquei também me são gratos e, sempre que nos encontramos, perguntam por eles.
.
Cabe ressaltar que, sem exceção, dos estagiários do sexo masculino, todos, antes do estágio, estavam começando a preocupar a família. No entanto, nunca me deram qualquer problema e, finda a experiência em meu escritório, também não soube que tenham gerado novas dores de cabeça aos pais.
.
Por uma carga horária que variava de 4 a 6 horas diárias, esses estagiários não-remunerados aprenderam o que a escola jamais ensina; o que não está nos livros; aquilo que poucos sabem e que quase ninguém se dispõe a repassar.
.
Não lhes foi dado dinheiro. Mas ganharam, na juventude, a primeira oportunidade da experiência: refinar-se; nutrir o comportamento formal, livrar-se da timidez que atrapalha; adquirir confiança; ter o vocabulário multiplicado; absorver a malícia laboral; tornar-se íntimo das máquinas, do procedimento técnico, da rotina escritural e do jogo de palavras propício às vendas; adaptar-se à disciplina dos horários; saber o valor do contrato e do compromisso empenhado.
.
De minha parte, não facilitei. Tratei-os com o rigor respeito cabível à relação de trabalho. Não tolerei atraso. Exigi que estudassem. Cobrei linguagem, postura e empenho apropriados. Incentivei o pensamento próprio e vez por outra a ação espontânea responsável.
.
Dito isso, entendo que, por um preço nem tão alto, ‘furaram a fila’ do emprego, apenas dando algo ao mercado, antes de exigirem alguma coisa. Tiveram a adolescência ‘encurtada’? Sim. Mas, a julgar pelo que as ruas ofereciam, não foi ruim.
.
Então, se você não está passando fome, mas ainda pertence ao vasto nicho dos infelizes que buscam – sem sucesso – o primeiro emprego, sugiro que passe a pão e água adie seus sonhos de consumo por alguns meses (talvez um ano). Trabalhe de graça. Não se arrependerá!

.

Favorite em:
Del.icio.usTechnoratiDiggSimpy

, , , , , , , , , , , , , , ,

11 Comentários

BEM-VINDOS AO ‘DOCE DE FEL’!…

…onde se pretende, quase sempre, servir palavras amargas e pensamentos cruéis; não por puro pessimismo ou quaisquer vícios sádicos, mas sim por uma questão de pura honestidade.

.

(dúvida: ‘pura honestidade’… é pleonasmo?!).
.

BlogBlogs

Rec6

, , , , , , ,

2 Comentários