REFORMA ORTOGRÁFICA, CRIME ECOLÓGICO, FARRA-DO-BOI NA INDÚSTRIA GRÁFICA E MUITO MAIS…

REFORMA ORTOGRÁFICA, CRIME ECOLÓGICO, FARRA-DO-BOI NA INDÚSTRIA GRÁFICA E MUITO MAIS…
– André L. Soares – 11.01.2009 –
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A reforma ortográfica, iniciada no dia primeiro deste ano, vai atingir, aproximadamente, 230 milhões de pessoas em todo o mundo. Dessas, quase 180 milhões são brasileiras. O restante está distribuído em Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e, ainda, Timor Leste.
Entre os principais argumentos para a reforma estão o maior intercâmbio cultural entre países que falam Português e, também, a inserção desse idioma no rol dos línguas oficiais da ONU.
Balela! Nenhum desses países tem força na ONU; e duvido que venha a ter ainda nesse século. Assim, inserir o Português no conjunto de línguas oficiais daquela entidade não significa nada.
Em menos de 70 anos, essa já é a terceira reforma. A primeira foi em 1943; a segunda, em 1971; a terceira, em 1990. É essa última, de 1990, que está sendo posta em prática agora. Mas o que isso tem a ver com ecologia?
Nos próximos quatro anos, esses oito países adaptarão sua cultura às novas regras. Isso significa dizer que serão reimpressos quase todos os livros. Livros são papel. Papel é árvore. Mesmo com todo o esforço de reciclagem, não se iluda, o custo ecológico será imensurável.
A grande beneficiada será a indústria gráfica. Principalmente no Brasil que, das oito nações envolvidas no processo, é a que tem maior população, mais escolas, mais estudantes e, portanto, mais livros didáticos (e não-didáticos, também) a serem reimpressos.
Sabe aquele livro que foi utilizado por seu primeiro filho; e que depois passou ao segundo filho; que o repassou ao primo pobre, que, por fim, o doou à biblioteca municipal? Esqueça. Agora é lixo. Com muita sorte será reciclado e vai virar encarte das Casas Bahia.
Considerando-se que, estando praticamente obsoletos todos os milhões de livros já existentes no Brasil, a procura por livros reformulados será elevada. Assim, é de se esperar que seus preços sofram aumento, onerando ainda mais a já dolorida lista de material escolar. Essa tendência de alta só irá passar a partir do segundo ano após a reforma (2011), quando já houver um número considerável de livros reformulados que poderão ser reaproveitados por outros estudantes.
E tudo isso porque será afetado apenas 0,45% (menos de meio por cento) do conjunto de palavras do Português utilizado no Brasil.
Caso você ache que isso é pouco, pense então no desrespeito que a reforma ortográfica representa para todos que, durante anos, esforçaram-se para aprender minimamente a língua pátria e que, agora, terão que se esforçar um pouco mais, caso não queiram ser rotulados como semi-analfabetos.
Será que há má-fé por trás dessa história de reforma ortográfica?
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Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

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  1. #1 por joyce em 11 janeiro, 2009 - 5:32 pm

    Acho que não, vc tem bons argumentos contra, mas a tendencia da língua é a simplificação. Essa tendencia não é fabricada por ninguém, muito menos por linguistas, que nunca são consultados, mas pelos falantes que a modificam. Claro que existem os acordos, porém não se aprende a língua escrita sem a leitura com ou sem acento, trema e outros sinais…

  2. #2 por re em 11 janeiro, 2009 - 5:33 pm

    não vou mover um dedo, contra os livros ortograficamente incorretos que tenho aqui sob meus domínios. isto é óbvio, mesmo pq li livros do século retrasado e não me causaram nenhum dano ortográfico. beijo.

    foi só uma tamancada pra não perder o pé da minha origem ibérica.

  3. #3 por Andre leite em 11 janeiro, 2009 - 9:12 pm

    dezinho,dezinho, dezinho, as vezes me questiono por que pensar…doi…estamos nas maos de merdas…ainda bem que nunca fui bom de ortografia

  4. #4 por João Alberto em 11 janeiro, 2009 - 9:28 pm

    Seu texto está muito bom, no Brasil o povo não se dá nem o trabalho de escrever certo na Internet, imagine assimilar essa reforma. Acho que se houvesse um bom incentivo para as crianças e jovens a praticarem leitura, não haveria nenhuma necessidade de reformas.

  5. #5 por sissym em 11 janeiro, 2009 - 11:50 pm

    Você colocou a questão num foco ainda não levantado, o destinho de nossos livros. Não bastassem enciclopédias que provavelmente ninguém compra mais, as que existem já estão pra lá de desatualizadas e quem as têm nem quer saber do cheiro de mofo, a internet responde tudo.
    Eu também considero desrespeito aos meus anos de estudos e fui aluna exemplar que agora corro o risco de me tornar uma semi-analfabeta. Isso sem dizer que já venho pensando se não sou, visto que não consigo interpretar o que os jovens escrevem nem falam.

  6. #6 por almir em 13 janeiro, 2009 - 6:39 am

    É triste imaginar que pode estar havendo má fé nisso tudo. Mas também nunca se pode descartar nada em se tratando de nosso pais. Isso eu ja aprendi. Há tantas coisas que deveriamos nos preocupar e ficam gastado energias com ortografia!!! sinceramente eu ainda não entendi o porque disso tudo. Razões aqui citadas nunca me convenceram de nada. Onu? que Onu? Sei lá mas derrepente até pode ser! Mas também fica aqui meu protesto ok?

  7. #7 por Nathália em 20 janeiro, 2009 - 4:34 pm

    Sou antenada em poesia (não por acaso, trabalho como assistente editorial do poeta Ulisses Tavares, conhece?), visitei seu blog e gostei muito.

    Olha, se puder, dá um toque para seus blogueiros e amigos olharem o site que gerencio:

    http://www.ulissestavares.com.br

    Sempre tem poesia nova lá e os visitantes concorrem a um livro autografado toda semana.

    Sem burocracia e sem despesa alguma. Basta clicar no site, enviar um e-mail e concorrer.

    Grande beijo e continue no caminho da poesia que o mundo precisa disso,

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