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	<title>Doce de Fel</title>
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	<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 01:05:56 +0000</pubDate>
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		<title>INVISTA EM VOCÊ: TRABALHE DE GRAÇA</title>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2008 12:36:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rita Costa &#38; André L. Soares</dc:creator>
		
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[Fotografia: James P. Blair]
.
.
INVISTA EM VOCÊ: TRABALHE DE GRAÇA
- André L. Soares - 21.05.2008 -
.
Desde que não pare de estudar, quase todo esforço é válido ao jovem que busca o primeiro emprego. Inclusive, trabalhar de graça. Explico:
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De 1999 a 2004, fase de grande inflação e desemprego, fui dono de pequeno escritório de consultoria em Brasília. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><pre style="text-align:right;"><a href="http://i117.imagethrust.com/i/967697/csacoalmineatkarvinafotgr.jpg"><img class="alignright" src="http://i196.photobucket.com/albums/aa88/lobodomar307/CSACoalMineatKarvinaFotgrafo-JamesP.jpg" alt="CSA Coal Mine at Karvina. Fotógrafo - James P. Blair." width="174" height="217" /></a></pre>
<pre style="text-align:right;"><span style="color:#0000ff;">[Fotografia: James P. Blair]</span></pre>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#000080;"><strong>INVISTA EM VOCÊ: TRABALHE DE GRAÇA</strong></span></span></p>
<p>- André L. Soares - 21.05.2008 -</p>
<address><span style="font-size:12pt;">.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Desde que não pare de estudar, <span style="text-decoration:line-through;">quase</span> todo esforço é válido ao jovem que busca o primeiro emprego. Inclusive, trabalhar de graça. Explico:</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">De 1999 a 2004, fase de grande inflação e desemprego, fui dono de pequeno escritório de consultoria em Brasília. De fácil gerenciamento, tinha computador, impressora, telefone e uma <span style="text-decoration:line-through;">mosca-morta</span> secretária. De resto, só minha habilidade para vender e prestar o serviço.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">O serviço era anunciado no jornal. Os clientes ligavam. A secretaria <span style="text-decoration:line-through;">dizia ‘alô’</span> fazia o primeiro atendimento e me passava o telefone. Eu vendia o serviço que, dias depois, iria desenvolver.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">De família imensa e com muitos amigos, havia sempre um <span style="text-decoration:line-through;">chato</span> parente pedindo emprego ou estágio para o filho. Não adiantava explicar minha <span style="text-decoration:line-through;">quebradeira</span> limitação. Bastava ir a um churrasco e me sondavam sobre empregar parentes que eu sequer conhecia.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Tornei-me hábil em dizer ‘não’ com <span style="text-decoration:line-through;">frieza</span> elegância. Porém, a estratégia logo mudou: passaram a abordar minha mãe que, por sua vez, <span style="text-decoration:line-through;">torrava meu saco</span> intervinha pelos sobrinhos. </span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Em Brasília, mais que em outro lugar, quando pensam em empresas, as pessoas imaginam que essas sejam ‘cabides de emprego’, tais eram os órgãos <span style="text-decoration:line-through;">inúteis e toscos</span> inoperantes da ditadura militar.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Assim, os pedidos se faziam com mais freqüência. Até minhas namoradas se ofereciam para trabalhar comigo. Temendo virar o <span style="text-decoration:line-through;">monstro</span> insensível da família, passei a <span style="text-decoration:line-through;">mentir</span> alegar que as coisas iam muito mal e que sequer poderia pagar <span style="text-decoration:line-through;">a merreca</span> o salário mínimo. </span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Na verdade, eu estava fascinado pelas ‘vias paralelas’ que levavam ao lucro: redução de custos, venda sem nota fiscal, caixa dois e afins. Daí não precisar, nem querer, aumentar a curtíssima folha de pagamento.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Mas os pedidos seguiam. Embora pobres, vivendo com dificuldade, uns propunham que o filho trabalhasse de graça. Outros queriam, ainda, custear o transporte e o almoço do menor. Foi aí que, <span style="text-decoration:line-through;">puto da vida</span> constrangido, cedi. Aceitei o filho de um primo como estagiário não remunerado, por meio período (no outro ele estudava), arcando apenas com custos de transporte e almoço.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">O rapaz tinha quinze anos. <span style="text-decoration:line-through;">Jeca</span> Tímido. Mal sabia pegar ônibus. Falava em tom inaudível. Nunca olhava nos olhos. Jamais emitia opiniões. Tinha medo de tocar em tudo. Não levantava da cadeira (nem pra <span style="text-decoration:line-through;">mijar</span> cuspir). Parecia um <span style="text-decoration:line-through;">bicho-do-mato</span> caipira. Era difícil crer que aquele <span style="text-decoration:line-through;">mané</span> menino ‘peitava’ o pai em casa, fazendo arruaça junto com os amigos e <span style="text-decoration:line-through;">fumando</span> tendendo a fumar maconha.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Nessa época o escritório já possuía bom volume de equipamentos de informática. Não demoraram seis meses e o rapaz tornou-se hábil no uso do computador; perdeu a timidez; atendia ao telefone com segurança; sorria para os clientes; fazia serviços de banco; e até emitia pequenas sugestões sobre os serviços que prestávamos.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Certo dia, um cliente liga desesperado. Era advogado. Um de seus funcionários passara em concurso e se demitira. Então, precisava de alguém para fazer serviço de escritório. Queria saber se eu podia indicar alguém. Não por nepotismo, indiquei meu estagiário que, de fato, demonstrara competência.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Feliz, ele foi ganhar dois salários mínimos. Passou a estudar à noite. Poucos meses nesse emprego e foi trabalhar na antiga CODEVASF. Após escândalo que devastou tal instituição, abriu negócio próprio. Formou-se em processamento de dados e <span style="text-decoration:line-through;">ficou louco</span> casou.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Após essa primeira experiência bem-sucedida os pedidos se multiplicaram. De minha parte, entendi a vantagem de ter estagiário não-remunerado e aceitei outro parente, bem logo o primeiro saiu.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Tudo se repetiu! Ao todo, nesses quinze anos, tive, como estagiários: três primos, duas primas, a esposa de um primo e três namoradas. Uma delas, especificamente, indiquei várias vezes. Primeiro para ser secretária na maior rede de farmácias de manipulação do Centro-Oeste (onde trabalhou por dois anos); depois, para a gerência na maior clínica odontológica de Brasília (onde permaneceu um ano); terceiro, para secretariar grande escritório de ricos ‘lobistas’ locais; e, por fim, para assessorar ninguém menos que Idalberto Chiavenato, no ano de 2001, em sua turnê de palestras pelo país (quem conhece Administração sabe a quem me refiro).</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Essa antiga namorada sabia a importância de estar no mercado a todo custo. Por isso, cada vez que perdia o emprego, oferecia-se novamente para trabalhar pra mim, de graça; pois tinha certeza que dessa opção viria o novo emprego. Ela nunca errou.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Em todos esses casos a transformação foi sublime e os resultados positivos inegáveis. Jamais sofri reclamações informais ou processos trabalhistas. Nenhum deles sentiu-se explorado e até hoje recebo agradecimentos. Os empregadores a quem os indiquei também me são gratos e, sempre que nos encontramos, perguntam por eles.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Cabe ressaltar que, sem exceção, dos três estagiários do sexo masculino, todos, antes do estágio, estavam começando a preocupar a família. No entanto, nunca me deram qualquer problema e, finda a experiência em meu escritório, também não soube que tenham gerado novas dores de cabeça aos pais.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Por uma carga horária que variava de 4 a 6 horas diárias, esses estagiários não-remunerados aprenderam o que a escola jamais ensina; o que não está nos livros; aquilo que poucos sabem e que quase ninguém se dispõe a repassar.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Não lhes foi dado dinheiro. Mas ganharam, na juventude, a primeira oportunidade da experiência: refinar-se; nutrir o comportamento formal, desprovido da timidez que atrapalha; adquirir confiança; ter o vocabulário multiplicado; absorver a malícia laboral; tornar-se íntimo das máquinas, do procedimento técnico, da rotina escritural, do jogo de palavras propício às vendas; adaptar-se à disciplina do horário; saber o valor do contrato e do compromisso empenhado.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">De minha parte, não facilitei. Tratei-os com o <span style="text-decoration:line-through;">rigor</span> respeito cabível à relação de trabalho. Não tolerei atraso. Exigi que estudassem. Cobrei linguagem, postura e empenho apropriados. Incentivei o pensamento próprio e <span style="text-decoration:line-through;">vez por outra</span> a ação espontânea responsável. </span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Dito isso, entendo que, por um preço nem tão alto, ‘furaram a fila’ do desemprego, apenas dando algo ao mercado, antes de quererem algo. Tiveram a adolescência ‘encurtada’? Sim. Mas, a julgar pelo que as ruas ofereciam, não foi ruim.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;"><span style="color:#ffffff;">.</span></span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">Então, se você não está passando fome, mas ainda pertence ao vasto nicho dos <span style="text-decoration:line-through;">infelizes</span> que buscam – sem sucesso – o primeiro emprego, sugiro que <span style="text-decoration:line-through;">passe a pão e água</span> adie seus sonhos de consumo por alguns meses (talvez um ano). Trabalhe de graça. Não se arrependerá!</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">.</span></address>
<address><span style="font-size:12pt;">.</span></address>
<address> <span style="font-size:12pt;">.</span></address>
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		<title>Bem-vindos ao &#8216;Doce de Fel&#8217;!&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 21:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rita Costa &#38; André L. Soares</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#8230;onde se pretende, quase sempre, servir palavras amargas e pensamentos cruéis; não por puro pessimismo ou quaisquer vícios sádicos, mas sim por uma questão de pura honestidade.
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(dúvida: &#8216;pura honestidade&#8217;&#8230; é pleonasmo?!).
 .
&#8230;
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Rec6
       ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8230;onde se pretende, quase sempre, servir palavras amargas e pensamentos cruéis; não por puro pessimismo ou quaisquer vícios sádicos, mas sim por uma questão de pura honestidade.</p>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<p>(dúvida: &#8216;pura honestidade&#8217;&#8230; é pleonasmo?!).<br />
<span style="color:#ffffff;"> .<br />
&#8230;</span><br />
<a rel="me" href="http://blogblogs.com.br/api/claim/-51718990/176608/17546">BlogBlogs</a></p>
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