INCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL: O CASO DOS EX-PRESIDIÁRIOS
– André L. Soares – 08.03.2009 –
.
‘Inclusão social’ é uma expressão muito em moda, principalmente a partir dos anos noventa, com a expansão das chamadas ‘Organizações Não-Governamentais’ (ONGs),… instituições que, por meio de capital de terceiros (quase sempre dinheiro público), desenvolvem ações de caráter social em áreas específicas, previamente definidas. A inclusão social pressupõe a integração ou reintegração, na sociedade, daqueles que, por razões diversas, encontram-se à margem de um contexto de mínima qualidade de vida.
Mas, de fato, a inclusão social ocorre em nível satisfatório?
.
Infelizmente não possuo dados estatísticos sobre quaisquer formas de inclusão social, de modo a poder analisar uma série temporal e saber, por fim, se o volume de dinheiro empregado nessas ações resultou em um número satisfatório de pessoas socialmente incluídas.
.
No entanto, pode-se analisar essa questão por outro ângulo. De acordo com o professor Cristóvam Buarque, quando se trata de vidas humanas, se todo dinheiro do mundo for gasto para salvar apenas uma única vida, já terá sido válido. Esse é um extremo do humanitarismo que me agrada. Por isso mesmo, não vou questionar, aqui, a expansão das ONGs nos últimos vinte anos, nem os escândalos envolvendo algumas delas.
.
O que questiono é se a inclusão social existe na prática e, ainda, se a sociedade realmente permite a inclusão social. Para isso, tomo como exemplo o caso dos ex-presidiários.
.
Uma vez que tenha cumprido a pena – e considerando-se o baixo grau de eficácia do sistema prisional brasileiro em reeducar criminosos –, o ex-presidiário é, para a sociedade livre, uma ‘sinuca-de-bico’: se a sociedade o reintegra imediatamente, corre o risco de ter, dentro de suas casas e/ou empresas, alguém muito suscetível a cometer novos ilícitos; porém, se a sociedade não o reintegra imediatamente, terá a certeza de que esse alguém cometerá novos ilícitos.
.
Bem provável que o ex-presidiário seja o mais difícil caso de inclusão social. No entanto, deve ser também o caso que se faz mais urgente e necessário. Para tanto, é preciso que a sociedade entenda que isso só será viável se a reintegração tiver início já no primeiro dia de cumprimento da pena. Do contrário, não adianta esperar que um detento esteja pronto para viver em sociedade apenas porque cumpriu seu tempo atrás das grades, onde havia o mais completo ambiente de violência e injustiça.
.
A inclusão social de ex-presidiários passa por pelo menos três medidas básicas: reforma do sistema prisional, que inclua, entre outras coisas, profissionalização dos detentos; reforma do código penal, com inserção de penas mais severas para os reincidentes; incentivos fiscais às empresas que derem emprego a quem já esteve preso.
.
Infelizmente, o debate acerca da inclusão social de ex-presidiários tem sido cada vez menor. Resquícios dessa importante discussão estão restritos ao meio acadêmico, onde as teses não alcançam vigor prático. Nas esferas do governo, no entanto, essa polêmica vem sendo tratada em ‘quinto plano’, o que significa dizer que a sociedade continuará, ainda por muitos anos, no mesmo dilema; impedida, por força do medo, de auxiliar a quem tanto precisa de ajuda.
.
Essa postagem é parte da blogagem coletiva promovida pela gentil Esther, do blog ‘Esterança’, cujo intuito precípuo seja trazer a debate questões relacionadas à inclusão social no Brasil. Parabenizo especialmente a Esther, por tentar fazer da blogosfera brasileira um espaço útil à discussão amigável dos problemas nacionais. Aos demais participantes, meu mais sincero respeito, bem como meu agradecimento por disponibilizarem seus blogs a essa importante ação coletiva.
.
.
Leia também:
Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos
Arquivado em: Brasil, cronica, direito, direitos humanos, direitos individuais, violência | Etiquetado: emprego, inclusão social, justiça, presidiários, prisão, socialização, sociedade, trabalho






nao tenho muito a dizer. tem muita gente fora dos presidios que precisa de ajuda. fica dificil. em primeiro lugar os nao criminosos e depois os criminosos. quantas pessoas que roubaram para alimentar a familia/comer estao presas???
Muito bom o texto. Você conseguiu chamar a atenção para alguns pontos bem interessantes. Principalmente o seu destaque para as três medidas básicas para que ocorra a inclusão social com os ex-presidiários. Assino embaixo em cada item. Só assim para termos melhores resultados neste quesito.
Agora, quanto ao teu questionamento se a inclusão social existe na prática, eu diria que existe. Não é praticada por todas as pessoas. Nem possui a devida divulgação. Mas existem pessoas que ainda acreditam na palavra de um ser humano. Praticando boas ações, não pela visibilidade do ato, mas com sinceridade de coração. Querendo o bem do próximo.
O debate sobre esta questão é bem fraco mesmo. Muito pela mentalidade de uma parte da população que fica esperando, primeiramente, uma ação do governo. Sabendo que, da forma como o sistema carcerário está, este não tem contribuído com a reestruturação do detento. Pelo contrário na verdade. Como mudar a situação? Levantando discussões como esta. Foi muito oportuno este ato de blogagem coletiva criada pela Ester. Motivou a participação de muita gente para discutir o assunto. Eu também apoio e já criei meu post.
Abração.
Maravilhosa abordagem, gostei muito, primeira vez lendo dentro dos debatedores, a situação dos ex presidiários, e a dificuldade da inclusão dos mesmos, na sociedade. E quão pouco se fala sobre, se faz sobre e se pensa sobre.
Existem uma gama de sociólogos, membros do governo que fazem fichinha e apenas ficam nisso, não há uma lei, não há um adendo, não há um programa satisfatório e real, que possa trazê-los para um âmbito que os coloque longe das formas de levá-los ás grades novamente.
Muitas das vezes, a prisão começa quando eles saem “pra fora”.
Muito bom aqui,
Abraços,
Chris
Olá!
Tenho um primo que saiu da cadeia há 8 meses. Ele tem mulher e dois filhos. Já esteve preso antes e nunca conseguiu arrumar emprego de novo. E agora ele tem tentado resistir ao apelo do tráfico mas está difícil, muito mesmo. Parece que os 8 anos preso não foram suficientes para pagar o débito. Parece que nada é. E o Código penal prevê reclusão como medida punitiva e regenerativa. Óbvio que não funciona.
Seu post é o único até agora que trata do assunto da reinserção do ex-presidiário. O que comprova o que você disse sobre o debate estar muito restrito. Belo post.Boa semana para você.
André,
As mudanças no sistema prisional são primordiais para as consequentes, pois não há como garantir emprego sabendo-se da marginalidade empregada dentro dos presidios.
Esse assunto é polêmico, inclusão social nesse e em outros casos, depende da vontade do governo em mudar completamente a visão ou melhor a cegueira que insistem em manter.
A príncipio, não teríamos tantos presos se nossa sociedade fosse justa e essa justiça também se encontra nas mãos governamentais.
A educação e a garantia familiar de muitos que vivem abaixo do nível de pobreza, deveria ser prioridade, para acalmar futuros ânimos a cometer crimes. Mas uma vez o cachorro corre atrás do rabo, não interessa ao governo ter uma população consciente de seus direitos e com capacidade de se manter, como fariam política, se não fossem os desagregados a quem prometem mundos e fundos quando lhes convém?
Cidadania é uma palavra muito usada e pouco praticada. Não sou adepta do pensamento negativo, mas não consigo ver luz no fim do túnel, quando dependemos do sistema governamental.
Muita teoria e pouca prática, ilude o mais simples, pois esses, não conhecem a verdade, não foram educados para isso.
Cris
Muitas vezes pergunto como que simples atos de verdade como foi desempenhado pela Ester, nos faz entrar nesse mundo magico de verdade; esse mundo que ao mesmo tempo falamos de algo serio, encontramos novos amigos, novos conteudos. Isso se chama mudança, isso é incluir na sociedade, mostrando o que somos capaz. E hoje ao ler seu conteudo deparo com varias suspresas como essa, que faz eu parabenizar a vc.. pelo excelente trabalho…
Continuemos….abraços
“A gente nao faz amigos, reconhece- os”
Vinicius de MOrais
Oi André!
Interessante a sua contribuição à Blogagem Coletiva. Parabéns.
De facto a questão dos ex- presidiários é ainda complicada…especialmente quando está em causa a recuperação da confiança perdida…
um abraço, Susana
André, a inclusão social existe sim e, eu sou a favor de qualquer programa que possa dar a qualquer pessoa o direito de se tornar um cidadão de bem.
Mas não creio que ocorra em nível satisfatório, já que os presidios estão sempre lotados e, as ruas e as favelas, estão sempre cheias de jovens que vivem na total ociosidade.
Não existe políticas públicas de prevenção suficientes que possam garantir que isso vá mudar.
Portanto essa Inclusão social vai ser sempre uma gota no oceano. Infelizmente!
Querido,… meus parabéns a você por esse belo texto, por mais essa brilhante participação.
E também a Esther, pela iniciativa dessa importante blogagem
Uma linda noite!
Beijussssssssssss
Infelizmente a própria justiça ainda é o maior entrave na recuperação de um ex-detento. Participei de um processo desse há algum tempo e senti na pele o fato de que a justiça impediu que essa pessoa, depois de conseguir um trabalho, não pudesse exercer suas atividades, pois a empresa precisava de um atestado de antecendentes criminais. Como é que alguém que acabou de sair da prisão vai conseguir esse documento. O pior de tudo é que o ex-presidiário tem prazo para conseguir um emprego registrado. Agora me digam: como é possível ela exigir tal coisa, se ela mesma atrapalha o processo não fornecendo um documento (eu fui ver se conseguia algo) que possibilite o retorno ao trabalho.
Resultado: depois de seis meses sem conseguir um emprego decente, o rapaz foi detido por policiais inescrupulosos que plantaram nele uma quantidade de droga para torná-lo um traficante. Fico revoltado com tudo isso, pois conheço o garoto desde criança e sei que ele nunca foi e não é um traficante. Usuário sim. Mas nesse caso a justiça deveria tratá-lo e não prendê-lo como fizeram.
Inclusão social? Isso não existe, pelo menos no caso dos ex-presidiários, não.
lindo seu texto, parabens pela bela participação nesta gde idea, a blogagem coletiva.
abraços
André, acho que a questão da inclusão de ex-presidiários esbarra na questão da ressocialização que em nosso país é praticamente zero. Com raríssimas exceções como agora em alguns poucos presídios privatizados, onde até acesso a dentista os presos possuem, pagos com o seu próprio trabalho. QQ coisa vc pode ler sobre isso no site da revista Veja. Da maneira que funciona nosso sistema prisional fica difícil falar em “inclusão”. Abraços ! Belo texto !
Olá André
Sou totalmente a favor de que seja repensado o sistema prisional brasileiro, que não educa e não ressocializa o detento.
É preciso que ele mantenha a mente ocupada com atividades educacionais e de trabalho. O Brasil poderia se espelhar em muitos exemplos que existem pelo mundo.
Abraços.
Oi André!
Eu gostei muito do seu texto! E sabe é uma reflexão que sempre que ouço em algum lugar fico pensativa e sinto muita dificuldade, não adianta eu ser hipócrita e te dizer que acho fácil a reinserção social de ex-presidários, eu sinto medo de de repente estar dando chences a alguém que não merece e que pode voltar a cometer atos terríveis, mas aí me pergunto e se nós não dermos as chances não estariamos sendo promotores de novos atos ilícitos dessas pessoas?
Também estou participando da blogagem.
Grande beijo
Cris
Olá André!
Achei pertinente a escolha desse assunto pouco falado,
concordo com vc quando diz que é provável que o ex-presidiário seja o mais difícil caso de inclusão social,,
temos muito que caminhar ainda, as dificuldades são imensas, até que se formem consciências e debates sejam transformados em ações efetivas.
Vejo essa coletiva com olhos de esperança, através do conhecimento, do debate e o compartilhar de experiências podemos ir de encontro as mudanças futuras,
Que não nos falte a vontade forte de lutarmos contra as resistência de um sistema falido e estagnado,
caminhar é preciso….!
Obrigada pela sua colaboração nesse evento!
abs,
Estou grata por tres coisas, primeiro por voce trazer para a blogagem um tipo de exclusao que é tao esquecida que se nao fosse por voce talvez ate entre nos nao seria mencionada.
Segundo por sua abordagem objetiva e lucida e por fim por escrever de forma cativante e bem estruturada.
Parabens por sua excelente contribuiçao.
Abraços
Parabéns André,
estou fazendo um levantado de pesquisa para um trabalho de faculdade sobre reinserção de ex-presidiários na sociedade e posso considerar que seu texto foi de grande valia para as condirações que farei. Ademais, quero citar a criticidade dos comentários que também ajudaram bastante, obrigado.
Gabriel Bastos
Por mais que eu acho justo a oportunidade para todos, me pergunto se conseguiria vencer o preconceito de dar uma oportunidade a um ex-presidiário.
Quando assistimos a filmes, reportagens, eles enfatizam o lado romântico, o lado humanos dessas pessoas. Mas muitas delas cometeram atos contra a sociedade considerados graves. Sei que o modelo do sistema penal não recupera ninguém. Como saber diferenciar o joio do trigo?
Saudações amigas. Fui um dos parceiros da Inclusão Social promovida pela Ester através de um dosmeus blogues, o Sombreiro, e ando em visionamento dos restantes trabalhos. Em relação ao seu trabalho, excelente aproveitamento do tema dos ex-presidiários. É uma franja da exclusão, mas um caso importante quanto à sua reinserção na vida dita normal da sociedade. O problema não se põe apenas no Brasil, em Portugal é idêntico. A Ester está de parabéns, pois conseguiu que houvesse um nível de participação elevado em número, qualidade e diversidade, o que me surpreendeu. Tudo de bom para si amigo e até breve, assim espero.
Concursos públicos para os Egressos.
Considero que a sociedade tenha, no tocante aos presidiários e egressos, esse desafio a vencer: ter ou não o direito ao concurso publico. Assim sendo percebe-se que as pessoas carregam de fato, uma tradição um tanto negativista, preconceituosa e discriminatória acerca dos egressos (incluindo os legisladores e os aplicadores da lei).
Esta tradição precisa ser revista e corrigida, se quisermos um recuo na incidência da criminalidade e conseqüentemente da reincidência criminal sociedade não gozara a verdadeira tranqüilidade enquanto não pensa o combate a criminalidade na perspectiva de inclusão dos egresso-recuperados ao mercado de trabalho, através do concurso público. Não adiantará nada a evocação da moralidade pública para tentar impedir o ingresso dos mesmos, enquanto os supostos cidadãos de bem roubam impunemente e, no entanto nada sofrem.
Paz e tranqüilidade deverão ser frutos de inclusão sócio-laborterápica dos ex-presos, um esforço que deveria ser a prioridade das pessoas na busca por justiça social. Nesse ano,a campanha da fraternidade debruçou-se na relação entre a fraternidade e a segurança publica,reiterando que a paz é fruto da justiça. Como haverá a paz enquanto os egressos são injustiçados no mercado do trabalho? Como teremos uma segurança publica que preste, se ao egresso não é permitido trabalhar honestamente, se não para que volta a delinqüir?(pois é excluído no processo de concurso publico).
Espero que nesse fórum se saiba aproveitar a oportunidade para discutir acerca desse mal de excluir o egresso no mercado de trabalho, só com base na sua vida pregressa, sem se atentar na possibilidade da sua recuperação. Nesse sentido, os egressos são obrigados a viverem numa situação paradoxal e contraditória de ”presos” embora em ”liberdade’‘, pois não podem considerar-se livres pelo simples fato de terem recebidos um alvará de soltura, enquanto permanecem presos a preconceitos e acorrentados à discriminação social.
É preciso romper com os entraves escravizante que mantêm os egressos na marginalidade (preconceito, discriminação e impossibilidade de prestação de concursos). A sociedade parece ter esquecido que a reintegração dos egressos no seu seio, é a sua responsabilidade, podendo favorecer a superação da violência na sua origem. (sociedade como fautora da violência). A sociedade promove a criminalidade, à medida que não dá oportunidade para os egressos, deixando de lhes dar chances para reconstrução de suas vidas (através do trabalho digno). Precisamos entender que não basta colocar uma pessoa em liberdade, sem oportunidades para que tal pessoa não venha a cometer novos delitos, devido á falta de perspectivas.
A sociedade deveria ter a sensibilidade de perceber que: a recidiva criminal denuncia a incompetência do Estado na recuperação dessas pessoas, ao invés de achar que tais pessoas não mudam porque não querem. Digo sem sombra da duvida que, não é só os interesses dos egressos na permanecia no mundo da criminalidade que justifica a sua reincidência nos crimes, mas também por falta de oportunidade para prestarem concursos publico (exigência de apresentação de certidão negativa). Isto implica, portanto, que a sociedade vê-se arrastada para o turbilhão da violência e criminalidade que vemos hoje, onde as leis negativas são representadas nessa proibição. A existência dessa hipocrisia fere a assistência que prevê a lei das execuções penais (lep) no seu art.27, a negar aos egressos, o direito á obtenção de trabalho através do concurso publico. (concursos públicos para os egressos já!!!).
CORNELIUS OKWUDILI EZEOKEKE
INSTITUTO DE CIÊNCIAS RELIGIOSAS (ICRE).
CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA.
Você tem horror a prisão e medo de ex-presidiário?
Estes são sentimentos que Felipe Athayde Lins de Melo, professor de filosofia no Centro Universitário Toledo de Araçatuba e profissional especializado há 10 anos em desenvolvimento social, decididamente não tem. Tanto que trabalha na FUNAP, uma fundação pública do governo paulista considerada modelar no fomento da educação e da profissionalização de presos e egressos. O sistema prisional brasileiro, todo mundo sabe, é uma calamidade, uma vergonha mesmo, mas pode mudar. Muitas organizações, muitas pessoas estão trabalhando com seriedade para isso, uma vez que ele é responsabilidade de todos, por ação ou omissão. Para você conhecer melhor esta realidade e identificar oportunidades de colaborar voluntariamente com presos e ex-presidiários e suas famílias, o Portal do Voluntário entrevistou Felipe Melo* em Araçatuba (SP).
O que é a FUNAP? É um órgão do governo de São Paulo?
Felipe Athayde Lins de Melo – A FUNAP – Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (www.funap.gov.sp.br) – é uma organização pública, instituída há 30 anos e hoje vinculada à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária. Seu foco de atuação é a garantia dos direitos de acesso ao trabalho e à educação dos presos e egressos. A fundação é tanto criadora e executora de ações, como também é articuladora de parcerias com outros órgãos públicos, com a iniciativa privada e com o terceiro setor. Além disso, a FUNAP mantém desde 1977 um programa de apoio jurídico à população prisional.
Funciona? Apresenta resultados?
Felipe Athayde Lins de Melo – Com relação aos atendimentos prestados, as contradições do sistema prisional se apresentam. Por um lado, a FUNAP atende em São Paulo mais presos que qualquer outro Estado da federação. Só na área da educação, por exemplo, temos mais de 95 escolas, com cerca de 15 mil alunos. No entanto, estamos falando de um contingente de cerca de 140 mil pessoas presas, o que faz parecer que o atendimento é irrisório. Porém, dois alunos da FUNAP classificaram-se recentemente entre os 10 finalistas do Concurso de Trabalhos e Desenhos “Dia Mundial da Ciência”, coordenado pela UNESCO do Brasil. O tema do concurso foi “Diversidade e Desenvolvimento Sustentável”.
Existem perspectivas de evolução no sistema penitenciário?
Felipe Athayde Lins de Melo – É importante entendermos que o sistema prisional nem sempre foi o que é hoje, o que exige pensarmos que não será assim para sempre. No entanto, como diversos outros segmentos da ação social, o sistema prisional é reprodutor de si próprio. Romper com essa característica exige criatividade, participação comunitária e ação política. O que observamos é que onde esses componentes se alinham, as perspectivas de transformação se concretizam.
O preconceito contra os presos e egressos está diminuindo ou aumentando?
Felipe Athayde Lins de Melo – O preconceito mostra-se principalmente de duas formas. Primeiro, a imagem popularizada de que preso bom é preso morto. Depois, a idéia de que todo egresso sai do presídio pior do que entrou. Quando iniciamos as atividades em Mirandópolis, chamava atenção a imagem de que os presídios eram ruins para a cidade, embora eles tenham a maior folha de pagamento direta e indireta do município.
Sistema penitenciário é um nome menos ruim para uma realidade que a maioria finge que não existe?
Felipe Athayde Lins de Melo – Há um avanço, infelizmente deteriorado pela lógica do próprio sistema, na passagem de um conceito de sistema carcerário para sistema penitenciário. Este pressupõe a criação de locais mais adequados que os antigos cárceres e cadeias, com pessoal diferenciado para a segurança e para a administração, com gestão pública e civil etc. O fato é que o sistema possui enormes dificuldades de fazer cumprir a Lei de Execução Penal.
Por isso ele continua perverso?
Felipe Athayde Lins de Melo – Uma coisa é sabermos que, por meio da educação e do trabalho, os sentenciados poderão mudar uma realidade que é muito difícil, mas que pode ser transformada. Outra coisa é viabilizarmos formas efetivas de realização da educação e do trabalho como atividades transformadoras no interior de um sistema que sempre privilegia a contenção, a repressão. É preciso estabelecer uma visão de sociedade em que o sistema prisional dos nossos dias possa deixar de existir.
Qual é o perfil do preso paulista?
Felipe Athayde Lins de Melo – A maioria é formada por homens entre 18 e 34 anos, com baixa escolaridade e níveis socioculturais e econômicos ruins. Porém, deve-se ressaltar, não há associação direta entre estas características e o crime em si. A associação existe entre o crime e as formas como se opera a Justiça no país. Contribui para este perfil o fato de que muitas formas de violência, como a violência doméstica e a violência contra a mulher, são um tanto quanto invisíveis quando ocorridas nas classes média e alta. Isto colabora para mascarar o fato de que a violência não reconhece classe social.
O preconceito contra os presos e egressos está diminuindo ou aumentando?
Felipe Athayde Lins de Melo – O preconceito mostra-se principalmente de duas formas. Primeiro, a imagem popularizada de que preso bom é preso morto. Depois, a idéia de que todo egresso sai do presídio pior do que entrou. Quando iniciamos as atividades em Mirandópolis, chamava atenção a imagem de que os presídios eram ruins para a cidade, embora eles tenham a maior folha de pagamento direta e indireta do município.
Sistema penitenciário é um nome menos ruim para uma realidade que a maioria finge que não existe?
Felipe Athayde Lins de Melo – Há um avanço, infelizmente deteriorado pela lógica do próprio sistema, na passagem de um conceito de sistema carcerário para sistema penitenciário. Este pressupõe a criação de locais mais adequados que os antigos cárceres e cadeias, com pessoal diferenciado para a segurança e para a administração, com gestão pública e civil etc. O fato é que o sistema possui enormes dificuldades de fazer cumprir a Lei de Execução Penal.
Por isso ele continua perverso?
Felipe Athayde Lins de Melo – Uma coisa é sabermos que, por meio da educação e do trabalho, os sentenciados poderão mudar uma realidade que é muito difícil, mas que pode ser transformada. Outra coisa é viabilizarmos formas efetivas de realização da educação e do trabalho como atividades transformadoras no interior de um sistema que sempre privilegia a contenção, a repressão. É preciso estabelecer uma visão de sociedade em que o sistema prisional dos nossos dias possa deixar de existir.
Qual é o perfil do preso paulista?
Felipe Athayde Lins de Melo – A maioria é formada por homens entre 18 e 34 anos, com baixa escolaridade e níveis socioculturais e econômicos ruins. Porém, deve-se ressaltar, não há associação direta entre estas características e o crime em si. A associação existe entre o crime e as formas como se opera a Justiça no país. Contribui para este perfil o fato de que muitas formas de violência, como a violência doméstica e a violência contra a mulher, são um tanto quanto invisíveis quando ocorridas nas classes média e alta. Isto colabora para mascarar o fato de que a violência não reconhece classe social.
Muitos presos então simplesmente não têm acesso à Justiça?
Felipe Athayde Lins de Melo – Para a pessoa que está presa, o funcionamento da Justiça é muito complicado. Basta pensarmos que a maioria da população prisional da região de Araçatuba é originária da capital. Araçatuba fica a mais de 600 quilômetros de São Paulo! Esta realidade dificulta enormemente o acompanhamento dos processos pelos presos. Não é por acaso que, contando com apenas 174 advogados, a FUNAP realizou em 2007 mais de 800 mil atendimentos jurídicos para presos sem recursos.
Em que cidade você mora e trabalha? Em quantas cidades e penitenciárias você atua?
Felipe Athayde Lins de Melo – Moro em Araçatuba, sede de uma das oito gerências regionais da FUNAP. Coordeno as ações da Diretoria de Formação, Capacitação e Valorização Humana em 12 unidades prisionais, distribuídas em 9 municípios. A população prisional da minha região gira em torno de 15 mil pessoas.
Quais são as principais ações e projetos da sua coordenadoria?
Felipe Athayde Lins de Melo – Temos um investimento forte no programa de educação. Um grupo de 12 educadores coordena as escolas nas unidades prisionais. Destes, nove estão cursando pós-graduação atualmente, visando aprimorar inclusive as estratégias de interface entre a educação e as outras áreas das unidades prisionais. Nossa principal atividade hoje está no atendimento aos egressos prisionais e aos familiares de presos na cidade de Mirandópolis, onde criamos e implantamos um equipamento público chamado CDRS – Centro de Desenvolvimento e Reintegração Social.
Equipamento público?
Felipe Athayde Lins de Melo – É uma organização não-formal, uma iniciativa comunitária. O centro congrega, além da Funap e da Prefeitura Municipal de Mirandópolis, líderes comunitários e as principais associações civis da cidade. O foco do CDRS é pensar e executar políticas públicas de desenvolvimento e reintegração social, sem separar os presídios da comunidade. Todos podem participar das atividades, sejam presos, egressos, familiares ou pessoas da própria comunidade local.
Está dando certo?
Felipe Athayde Lins de Melo – Faz toda a diferença. Quando um jovem freqüenta um curso profissionalizante que tem um preso como instrutor, ele pode levar para casa uma visão diferente sobre o presídio da sua cidade. No CDRS demos início à criação e organização de uma cooperativa de coletores, composta por egressos, familiares de presos e catadores da cidade. É a Global Reciclagem que está indo muito bem. Assim a população local contribui tanto para as questões ambientais de Mirandópolis como para a integração de pessoas que por conta dos presídios vieram para ali.
Como se deu a consolidação do CDRS?
Felipe Athayde Lins de Melo – Fomos conquistando parceiros, a população logo percebeu que podia discutir e interferir nas questões ligadas aos presídios do município. Criamos um Conselho de Gerenciamento que discutiu passo-a-passo o projeto de coleta seletiva, formulou uma lei municipal, obteve apoios externos, etc. Em 2007, a Fundação Banco do Brasil certificou o CDRS como tecnologia social. Agora estamos planejando ações novas. Sempre contamos com a participação de pessoas que, em princípio, não se envolveriam com essa problemática.
A Funap conta com apoio de pessoas, empresas e organizações governamentais e não-governamentais das cidades?
Felipe Athayde Lins de Melo – Quando iniciamos o processo de mobilização das lideranças locais em Mirandópolis, recebemos forte apoio da Prefeitura. Nossa primeira conquista importante foi o Senai de Araçatuba, que aceitou formar um preso para que ele pudesse assumir a função de instrutor de ensino profissionalizante. Meses depois o Lions Clube de Mirandópolis nos procurou e cedeu à Funap um prédio para ampliarmos nossas atividades. Daí nasceu o CDRS.
É verdade que a maioria das ações voluntárias nas unidades prisionais e com egressos é iniciativa de padres, pastores e outros religiosos?
Felipe Athayde Lins de Melo – De fato, o envolvimento mais comum está ligado às causas religiosas, por meio de pessoas e organizações que querem salvar almas de criminosos. Mas há também grupos ligados às diferentes religiões que realizam importantes trabalhos de apoio à população prisional. Algumas iniciativas já foram incorporadas ao cotidiano das prisões, especialmente em trabalhos ligados a produções artísticas, em atendimento aos egressos e familiares…
Muita gente critica o trabalho nos presídios…
Felipe Athayde Lins de Melo – No caso da região de Araçatuba a questão é simples: temos dezenas de empresas que exploram mão-de-obra prisional, não cumprindo com normas e leis relativas ao salário e às condições de trabalho. Cumprir com esses requisitos já seria um avanço significativo.
Como a FUNAP trata esta questão?
Felipe Athayde Lins de Melo – Há duas formas de contratação estimuladas pela FUNAP: instalação de oficinas nas dependências da Unidade Penal (para presos em regime fechado e semi-aberto) e empresas que disponibilizam postos de trabalho em suas dependências (apenas para regime semi-aberto). Algumas empresas contratam mão-de-obra prisional com possibilidade de efetivação de trabalhadores após a soltura.
Vivemos Brasil afora alarmados, como refugiados em nossas casas, com a sensação de insegurança aumentando. Não estamos todos acomodados?
Felipe Athayde Lins de Melo – Não vejo como acomodação, acho que é pior. A insegurança surge entre as pessoas como uma das principais preocupações sociais, no entanto, as respostas procuradas são individualizadas. Esse é um paradoxo dos nossos dias: vivemos uma era de hedonismo individual, ainda que esse modo de vida nos gere inseguranças, medos, frustrações, etc. É desse hedonismo que a organização do crime se favorece: contra uma sociedade individualizada, um crime organizado.
============= *Esta entrevista foi realizada por Chico Lins com a colaboração para a de Weliton Cardoso e Joyce Mallet Kassim, respectivamente monitor de Educação e Assessora de Imprensa da FUNAP. ================
Achei interessante a entrevista e postei aqui para compartlhar com as pessoas,espero que gostem!
COTA EM CONCURSO PUBLICA PARA EX-PRESIDIARIOS (AS) COMO FORMA DE COMBATE Á CRIMILIDADE.
Começamos com as colocações do Juiz federal do estado do Ceara, Dr. Augustino Lima Chaves sobre o principio da responsabilidade.
‘A insistência no principio da responsabilidade em relação aos acusadores parte, também, da necessidade de trabalhar de acordo com a realidade, além de preservar as acusações sérias, conscientes, para que as elas não percam credibilidade’
Partindo do pressuposto de que a exclusão dos egressos no concurso publico condenam-nos fatal e irremediavelmente á reincidência criminal, assim sendo,saem dos presídios e das penitenciarias sem perspectivas.isso implica a premente necessidade de se denunciar seriamente essa hipocrisia de impedir o ingresso dos egressos no mercado do trabalho. O principio da responsabilidade faz sentido quando aliado com o da co-responsabilidade, onde se deve instituir cotas em concurso publico para os egresso (como forma de combater a criminalidade).
Importa que a sociedade desenvolva urgentemente ações que ajudem na superação das causas da criminalidade (tais como preconceitos,discriminação e a vedação da participação do concurso publico),fazendo com que ex-presidiarios tenham condições reais de se reintegrarem á sociedade.do ponto de vista política,a pergunta que se apresenta é o seguinte:porque o governo federal não implementa ações de combate a criminalidade,destinando vagas em concurso para ex-presidiarios?.
Não tem como falar em segurança publica se não falamos em qualificar e empregar o ex-preso, a viabilidade do projeto que visa a criação de cotas em iniciativas privada,bem como em concurso publico.o fenômeno da criminalidade é eternizado,quando se pensa a segurança publica,apenas em contratação de mais policias,aquisições de mais viaturas e construções de mais presídios,sem primeiro ressocializar os presidiários e disponibilizar vagas para os egressos no mercado de trabalho.
No cenário político, tem sido falado do projeto de contratação de ex-presidiarios como critério de desempate em licitação publica, um projeto do deputado bispo rodovalho que assinalou o objetivo de estimular a ressocialização de ex-delinquentes. Essa proposta visa dar incentivo ficais para as empresas, alem de servir como critério de desempate. Outro projeto semelhante é a destinação de vagas em concurso para ex-presidiarios na cidade várzea grande em Cuiabá,onde o parlamentar marcos boro apresenta um proposta de disponibilizar um percentual de 5% a 10% das vagas para ex-presidiarios.O mesmo entende que egressos têm enfrentado muitas dificuldades na volta para o mercado de trabalho e que tal cota é a forma de inclusão na sociedade.
Concordamos com essas iniciativas embora muito acanhadas ainda, porem louváveis, pois só assim poderemos atingir o objetivo da campanha da fraternidade-2009, ou seja,
‘Suscitar o debate sobre a segurança publica e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos’
CORNELIUS OKWUDILI EZEOKEKE
INSTITUTO DE CIÊNCIAS RELIGIOSAS (ICRE)
“Antes de propor a solução é muito conveniente conhecer o problema”.
Lei de Murphy.
1.1 Presidiários: quem são?
O homem é um “ser” interpelante e como tal, pergunta quem é. Há realmente a necessidade de indagar quem é o homem, de onde veio e para onde vai. Para tanto, faz-se necessário se conhecer melhor, conhecer o outro e a realidade circundante. O autoconhecimento é de suma importância para que se possa, de fato, fazer uma análise do homem, tendo o conjunto de informações do mesmo e suas implicações quando se encontra alheio às mesmas. O homem como um “animal pensante” tem como incumbência o lema do Templo de Delfos, ou seja, deve conhecer a si mesmo.
Saber quem somos implica estar a par do que nos aborrece, irrita, motiva, energiza para o bem e nos faz feliz. O saber de si mesmo quer também significar equilibrar-se emocionalmente. Entrementes, isto requer um exercício diário cujo caminho verdadeiro é o entendimento da nossa estrutura psicológica. Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável” . É sabendo quem somos e para onde queremos ir, que a “sabedoria” nos ajuda a usar os erros para crescermos e que saberemos, no entanto, que o “cidadão de bem” não é quem nunca cometeu nenhum crime, mas quem após o erro reconhece que é necessário mudar de vida e tenta fazê-lo, demonstra que é um cidadão embora não queiram vê-lo assim. Porém, assumiremos os papéis quando nos conhecermos melhor, sendo suficientemente flexíveis para entendermos nossos erros perante nós mesmos e a sociedade.
Neste sentido, mesmo as pessoas em privação de liberdade devem se conscientizar de seus erros e estarem dispostas, com o apoio de todos, a retomarem suas utopias que as “grades” não puderam aprisionar. O sonho de serem regeneradas e serem reincluídas novamente na sociedade donde um dia saíram e sonham implementar os seus projetos, sem perda de sentido. Devem reafirmar sua decisão de continuarem lutando para que as ações futuras sejam de acordo com o bem comum, acreditando que essas crenças e valores humanos são realizáveis embora sejam desafiadoras, porém realistas. Isso serve como fonte originária de energia que os impulsionam a conhecer os outros e, por conseqüência, a sociedade que fora vitimada por eles um dia e que também os vitimou.
“Os presidiários são como galinhas e o poder público como raposa. Quando egressos do sistema, os mesmos tornam-se livres num galinheiro onde se encontra a raposa de poder público” (Coe entrevistado).
Percebe-se assim que a liberdade dos egressos é igual à galinha no galinheiro junto à raposa, sendo como os mesmos se entendem, em relação a pergunta: De quem eles são?
A rigidez é uma vingança e não justiça
No mundo hodierno, além dos outros tipos de mecanismos para o combate à criminalidade (sem fazer realmente o que se deve), cogita-se a possibilidade de endurecimento das leis, iludindo e enganando a sociedade, pois acham, equivocadamente, que medidas cada vez mais severas irão acabar com a alta taxa de criminalidade (as estatísticas têm mostrado isso). Um bom exemplo disso é a Lei № 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos), que previa uma pena mais rígida para seus transgressores. No entanto, se a intenção do legislador era coibir este tipo de crime, na verdade contribuiu para o seu aumento, demonstrando que é preciso reconhecer este exemplo fracassado de endurecimento penal sem considerar as causas que originam este tipo de crime. As penas impostas têm como razão maior a ressocialização do preso e não a sua destruição, como demonstrou a figura jurídica do crime hediondo que, apesar de sua rigidez, só conseguiu aumentar a criminalidade no país.
Entretanto, as penas deveriam ser moderadas (sendo proporcionais aos delitos), principalmente, fazendo com que o objetivo delas seja atingido. As penas mais rígidas são revoltantes e intoleráveis que, se vistas da perspectiva da humanidade, se revelam a tirania, o excesso, a sede de vingança e a perversa felicidade de destruir ao invés de corrigir. Faz-se necessário que a justiça puna firmemente em vez de se vingar rigidamente. Assim sendo, parafraseando Yart Vouglans, em “As Leis Criminais da França”, dizemos que: é notório pela própria definição da lei que a mesma não tem apenas tendência para defender, mas também de vingar o desprezo de sua autoridade, punindo aqueles que vierem a violar seus dispositivos. Neste aspecto, sabendo que às vezes o legislador faz leis não para o bem estar comum, mas para os interesses particulares das elites. Entre as penas e na maneira de cominá-las em simetria com o crime praticado, veja-se uma tremenda injustiça e vingança que o togado insiste em chamar de “justiça”. Se as penas mais rígidas são justas, então equanimidade é falso; onde a injustiça se torna boa, as leis não passam de crimes contra a verdadeira justiça que todos almejam.
Reconhecemos a pertinência dessa discussão para que não nos tornemos, jamais, reféns dos legisladores hipócritas e das elites dos meios de comunicação de massa que insinuam o combate à criminalidade apenas com “penas mais rígidas e duras”. Isso comprovadamente corrobora a seguinte afirmação: [...] o rigor da lei e sua desproporcionalidade são patentes. O diploma legal com seus critérios abstratos nem sempre apresenta-se como instrumento justo nos casos concretos [...] . Sabe-se que a sociedade desenvolve para consigo uma determinada pedagogia normatizadora e, nesse sentido, a Constituição Federal é a lei suprema do Estado brasileiro, definindo e regulamentando toda a organização sócio-política do país. As leis ordinárias, bem como as normas jurídicas, se postam conforme a Constituição. Nesta acepção, nenhuma legislação que não leve em conta o princípio constitucional da não-aplicação de pena cruel, pode endurecer as leis só para trazer a satisfação da elite dominante pretensiosamente intitulada de sociedade com um todo. As penas mais rígidas nesta sociedade capitalista-neoliberal (fautor das desigualdades sociais), que por sua vez engendra a criminalidade, só servirão para oprimir ainda mais os pobres já discriminados e marginalizados. Efetivamente não será exeqüível em nossa sociedade (penas mais rígidas), pois apenas serviria para destruir as pessoas encarceradas, uma vez que não serão ressocializadas na prisão. As penas mais rígidas não são exigidas quando se trata das elites privilegiadas, a não ser para a população menos favorecida, em que perguntamos: Por quê?
As soluções para a problemática da criminalidade não podem ser penas mais rígidas. Não resolvem, nunca resolveram, tampouco resolverão. Penas mais rígidas por si só nunca poderão resolver a problemática da criminalidade. As autoridades têm que saber que a rigidez sustenta a delinqüência, pois a pessoa é tratada desumanamente com este discurso inoperante, enquanto na prisão urge-se que sejam combinados o sentido de suavização das penas e sistema de regeneração dos encarcerados em conformidade com o espírito da legislação. Quem está comprometido com a verdadeira justiça, não apoia a vingança disfarçada em rigidez penal. A dimensão libertadora da justiça faz uma crítica radical ao sistema opressor que postula penas mais rígidas somente para os pobres criminalizados, sem, no entanto, exigir o mesmo para os criminosos de maior envergadura. Recrudescimento penal é o resumo e o ponto máximo de vingança dessa sociedade injusta que teoriza sobre uma sociedade justa, porém fomenta ódio e preconceito. A rigidez penal sem programas de recuperação dos apenados confirma que a criminalidade não depende em nada do capricho dos “bandidos”, mas da hipocrisia e da vingança da sociedade quando a intenção não é de recuperar os mesmos.
Temos informações de que nos lugares onde se tentou combater a criminalidade somente com medidas repressivas, nem assim se pôde resolver tal problema. Por exemplo, nos Estados Unidos existem, há muito, penas rigorosas tais como a prisão perpétua e a pena capital, mas, no entanto, a criminalidade continua firme e forte, demonstrando que é uma fraude prometer que a sociedade estaria livre da violência com penas mais rígidas para os bandidos. Percebe-se, outrossim, a atualidade da polêmica acerca da questão da diminuição da maioridade penal, e, geralmente, isto se dá após algum fato infracional do menor. Na maioria das vezes, só quando a criminalidade atinge a classe dominante é que se acaloram essas discussões (mostrando o seu caráter ideológico), pois só pretende salvaguardar o grupo social dominante e não a população como um todo. As penas mais rígidas somente serão medidas engendradas para lograr de forma criminosa o bem estar dessa minoria privilegiada que se passa por “sociedade”. Na realidade, trata-se não da sociedade com um todo, porém uma ínfima parcela dela que detém o poder em todos os sentidos. Quando se fala em mecanismos de punição penal, nota-se que:
Na essência de todos os sistemas disciplinares, funciona um pequeno mecanismo penal. É beneficiado por uma espécie de privilégio de justiça, com suas leis próprias, seus delitos especificados, suas formas particulares de sanção e suas instâncias de julgamento. As disciplinas estabelecem uma “infrapenalidade”, quadriculam um espaço deixado vazio pelas leis; qualificam e reprimem um conjunto de comportamentos que escapava aos grandes sistemas de castigo por sua relativa indiferença.
Nessa altura, indagamos: Penas mais rígidas, resolve?
Tratar de penas mais rígidas não seria um passo interessante no combate ao crime. Lembremos inicialmente que o caráter das penas é a ressocialização do apenado que, após perder sua liberdade, num outro momento deverá retornar ao convívio da sociedade. Terá de conviver com o preconceito imposto aos egressos do sistema penal. Tornar as penas mais rígidas não seria uma forma imposta à sociedade como método de frear a constante elevação dos índices de criminalidade? Penso ser um ato “vingativo e economicamente viável”. Não se pode combater as conseqüências com tais medidas repressivas se suas causas persistirem em ficar incólumes. Deduz, portanto, que a simples imposição de tais penas não é o suficiente para atingir os objetivos que almejamos. Cito, por exemplo, a Lei № 10.826 de 22/12/03, que tornara muito mais rígida a pena concernente aos crimes envolvendo armas de fogo, e o que vemos nestes quase quatro anos é que as incidências de crimes envolvendo armas de fogo só aumentam. E em se tratando da dosimetria da pena, penso já ter atingido seu limite. Temos elencado alguns itens importantes que, se tratados como manda a lei, poderíamos reduzir de forma gradual, porém a longo prazo, mas eficazmente, a criminalidade, tornando desnecessário se repensar no aumento da pena. Dos inúmeros itens, mas de importância relevante, temos: a família, a escola e a igreja. Estamos passando por um processo social em que os valores morais-sociais estão sendo deixados de lado, sobressaindo-se os econômicos, ditando a tudo e todos de uma forma descarada. Enquanto nosso governo insiste na construção de novos cárceres, não atenta para sequer pôr em prática a LEP, que, se cumpri-la tal como está escrita, a população carcerária e seus índices cerceariam de aumentar. (Brito, E. R. S – Entrevistado).
Sabe-se que teoricamente as penas impostas têm por função reeducar os encarcerados. Isto é feito através de atividades educativas, culturais e profissionalizantes. Contudo, na prática, isso ainda é uma utopia, uma vez que o sistema penitenciário não está realmente interessado em programas sérios de recuperação dos apenados. A legislação prescreve a prisão e a punição dos “criminosos”, ao invés de criar mecanismos adequados para que essas pessoas não sejam apenas punidas de acordo com a lei, mas também que sejam reeducadas, ressocializadas e reincluídas socialmente. Todavia, faz com que as mesmas não tenham esse direito (e ainda quer penas mais rígidas). As leis ordinárias vigentes visam somente arrasarem as pessoas psico-socialmente, tornando-as piores do que quando entraram na prisão. As políticas penitenciárias são inexistentes, haja vista não haver nenhum interesse para que essas pessoas sejam reeducadas e recuperadas. Neste sentido, é legitimada a discriminação dos presidiários e dos egressos pela própria legislação que, salvo melhor juízo, veda a prática da cidadania aos mesmos através das proibições de votar e de prestar concurso público que, ao nosso ver, é um absurdo.
Há dois princípios que legitimam essas proibições. Em primeiro lugar, jurídico-economicamente, não se quer a aplicação da lei que garante o trabalho para os egressos; assim, não se gastaria com a sua implantação. Em segundo lugar, técnico-disciplinarmente, a prisão só visa a destruição dos encarcerados e não a sua modificação.
Esse duplo fundamento jurídico-econômico, por um lado, técnico-disciplinar, por outro, fez a prisão aparecer como forma mais imediata e mais civilizada de todas as penas. E foi esse duplo funcionamento que lhe deu imediata solidez. Uma coisa, com efeito, é clara: a prisão não foi primeiro uma privação de liberdade a que se teria dado em seguida uma função técnica de correção; ela foi desde o início uma “detenção legal” encarregada de um suplemento corretivo, ou ainda uma empresa de modificação dos indivíduos [...].
Não é só os interesses dos egressos, na permanência no mundo da criminalidade que justifica a sua reincidência nos crimes, senão a falta de oportunidade para prestarem concursos públicos (exigência de apresentação de Certidão Negativa). Isto implica, portanto, que a sociedade através de seus representantes é arrastada para o turbilhão da violência que vemos hoje, onde as leis negativas são representadas nessas proibições. A Instituição deste tipo de lei proibitiva não ajuda na modificação dos indivíduos, senão na sua recriminação.
Essas proibições ferem a assistência que prevê a LEP no seu Art. 27, a negar aos egressos, o direito à obtenção de trabalho, que dificultará o apoio para reintegrá-los à vida em liberdade. A retomada do trabalho para os egressos, deve contribuir para a reabilitação dos mesmos, preparando-os para o mercado de trabalho como forma de estabelecer seus direitos humanos, (além da sua cidadania), que devem estar intactas, apesar de suas condições de ex-detentos.
ñ to entendendu nd, vss poderião usar palavraz mais facieis, ne? pô colaborem, preziso diso pa faser o trabalhu do clgio, ja qui eu soh tiru nota boa, naum posu deichar de fase ne………… rsrs
gostaria de saber vc poderia enviar materiais para o meu email porque este o tema da minha tese
ola meu irmão saio da cadeia hoje dia 19/09/2009 estou muito feliz por isso só que eu tenho uma preocupação ele precisa trabalhar mas na onde se ninguém emprega exs presidiário ele era dependente quimico mas com a graça de Deus ele esta limpo .no presidio ele fez curso de pintor de casa e de ajudante de pedreiro mas como ele podera usar este curso se não tem emprego peso se alguem souber alguma assistencia que o governo da me informe para que ele tenha um recomeço muito obrigado o testo e o assunto é maravilhoso quem sabe poderemos abri caminhos para ajudar e diminuir a criminalidade
sou ex presidiario, e estou trabalhando pela funap, que tem contrato com o ministerio da saude e, o nosso pagamento esta atrasado e eles quando a gente liga pra la, dizem que nao tem nem previzao de quendo vai sair.
isso tem nos deixado pau da vida, eles nos contrata e nao paga pelo nosso serviço!
E as nossas contas? Como eles temos contas tambem.
se vc que estalendo, isso que estou escrevendo
e poder fazer algo por nós faça por favor, pois essa lei ai que criaram nao ta valendo de nada.
sou ex presidiario, e estou trabalhando pela funap, que tem contrato com o ministerio da saude e, o nosso pagamento esta atrasado e eles quando a gente liga pra la, dizem que nao tem nem previzao de quendo vai sair.
isso tem nos deixado pau da vida, eles nos contrata e nao paga pelo nosso serviço!
E as nossas contas? Como eles temos contas tambem.
se vc que estalendo, isso que estou escrevendo
e poder fazer algo por nós faça por favor, pois essa lei ai que criaram nao ta valendo de nada. nos ajude por favor
sou ex presidiario, e estou trabalhando pela funap, que tem contrato com o ministerio da saude e, o nosso pagamento esta atrasado e eles quando a gente liga pra la, dizem que nao tem nem previzao de quendo vai sair.
isso tem nos deixado pau da vida, eles nos contrata e nao paga pelo nosso serviço!
E as nossas contas? Como eles temos contas tambem.
se vc que estalendo, isso que estou escrevendo
e poder fazer algo por nós faça por favor, pois essa lei ai que criaram nao ta valendo de nada. todos os sevidores estao em greve so nos que estamos tabralhando
tem contrato com o ministerio da saude e, o nosso pagamento esta atrasado e eles quando a gente liga pra la, dizem que nao tem nem previzao de quendo vai sair.
isso tem nos deixado pau da vida, eles nos contrata e nao paga pelo nosso serviço!
E as nossas contas? Como eles temos contas tambem.
se vc que estalendo, isso que estou escrevendo
e poder fazer algo por nós faça por favor, pois essa lei ai que criaram nao ta valendo de nada. todos os sevidores estao em greve so nos que estamos tabralhando, estamos chei de conta pra pagar
Ola quando eu tinha 22 anos cometi um crime por trafico de drogas foram pego comigo aproximadamente 4 kl do entorpecente, fui julgado e condenado a 3 anos de reclusão, cumpri pena em 2 presidios de segurança maxima, passei pelo CDP depois casa de Custódia de Taubaté, RDD de Avaré e terminei de cumprir minha pena na PI de Tremembé, hoje reconheço o mal que fiz a mim mesmo e o grande culpado por iso ter acontecido comigo foi eu mesmo e quando eu quis mudar de vida mudei hoje esse sou eu, com apenas 45 dias depois que sai de condicional arrumei um emprego fichado hoje tenho 31 anos, pai de uma filha, cabeça e maturidade de um homem de verdade e adulto, trabalho numa industrial multi-nacional sou pintor automotivo a 5 anos, tenho segundo grau, possuo aproximadamente umas 10 formação profissional metade delas feita pelo Senai, e ressentimente tranquei faculdade por motivos pessoais, cursava produção industrial. Hoje não falta outras oportunidades de trabalho pra mim adoro o que faço, o que é dificil pra muitos´, pra mim eu faço acontecer, graças a DEUs acima de tudo, a minha familia e a mim mesmo…meu sonho é um dia poder cursar direito não pra fazer justiça mas pra ampliar meu conhecimentos e poder ajudar pessoas que querem ser ajudadas…agora eu pretendo fazer concurso publico na area de segurança publica…mesmo que eu tente muitas vezes mas não vou desistir…hoje eu tenho meu nome reabilitado, meu antecentende criminal não consta mais nada, quero agora provar mais uma vez do que sou capaz e poder tentar mudar, ou virar a pagina mais uma vez na minha vida…o q me motivou a lhes escreverem foi a propaganda do CNJ incentivando pessoas que passaram o que eu passei a ter uma vida digna e correta, pagando pelo erro e reabilitando-as na sociedade…eu aprendi uma coisa com isso…não provei nada a ninguem e nem a sociedade mas a mim mesmo. Obrigado Deus abençõe todos voces.
Oi Claudio. Muito boa sua virada de vida e força de vontade. Meu namorado esta preso e não sei como ajudar ele quando sair. Ele quer trabalhar mas por onde começar?
Os ex-presidiários nescessitam de um oportunidade , sei que é dificil mas nos cidadoes precisamos dar essa oportunidade para que eles possam resgatar sua alto-estima sua dignidade e sua cidadania